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	<title>Arquivos as onze mil varas - Letícia Coura</title>
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		<title>[:pb]Nota da tradutora d&#8217;As Onze Mil Varas, de Apollinaire[:]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Letícia Coura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Jun 2017 18:05:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>[:pb]&#160; quentinho da gráfica, já nas livrarias.  feliz de traduzir &#8211; e ver o livro pronto! &#8211; um autor tão livre e inventivo com as ideias e com as palavras, nessa ordem e vice-versa.  uma nota da tradutora pra me explicar, me absolver desse ofício tão desafiador, estimulante e inspirador.  e que dá um trabalho&#8230;<a href="https://leticiacoura.com.br/nota-da-tradutora-das-onze-mil-varas-de-apollinaire/" class="button">Leia mais <span class="screen-reader-text">[:pb]Nota da tradutora d&#8217;As Onze Mil Varas, de Apollinaire[:]</span></a></p>
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<p>quentinho da gráfica, já nas livrarias.  feliz de traduzir &#8211; e ver o livro pronto! &#8211; um autor tão livre e inventivo com as ideias e com as palavras, nessa ordem e vice-versa.  uma nota da tradutora pra me explicar, me absolver desse ofício tão desafiador, estimulante e inspirador.  e que dá um trabalho ! . . . . .</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" data-attachment-id="603" data-permalink="https://leticiacoura.com.br/nota-da-tradutora-das-onze-mil-varas-de-apollinaire/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n/" data-orig-file="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?fit=540%2C540&amp;ssl=1" data-orig-size="540,540" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?fit=540%2C540&amp;ssl=1" class="size-medium wp-image-603 alignleft" src="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n-300x300.png?resize=300%2C300" alt="" width="300" height="300" srcset="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?resize=250%2C250&amp;ssl=1 250w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?resize=50%2C50&amp;ssl=1 50w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2017/06/18219694_1341389749276278_3141085887677333504_n.png?w=540&amp;ssl=1 540w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p><strong>sobre erotizar a própria linguagem</strong></p>
<p>na orelha do livro, por Contador Borges: &#8220;em <a href="http://www.iluminuras.com.br/v2/detalhes_livros.asp?cod=5933&amp;txtBusca=Literatura%20Estrangeira&amp;autor=Guillaume%20Apollinaire&amp;tema_cor=6460ab">As Onze Mil Varas,</a> as peripécias libertinas não se fazem sem erotizar a própria linguagem (o que se deixa ver muito bem na tradução de Letícia Coura), produzindo um efeito de significância, aquilo que Roland Barthes define como produção sensual dos sentidos.  É nesse ponto que a experiência erótica e a poética coincidem&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p><strong>Nota da tradutora</strong></p>
<p>Nota do tradutor já é estranha em si, já que o tradutor ideal talvez seja aquele ser invisível, que cumpre quieto seu trabalho de fazer chegar em seu idioma as palavras do autor a seus leitores e ponto. Mas o fantasma do tradutor traidor, a angústia da consciência do perigo de se perder um sentido, um duplo sentido, triplo, um jogo, uma invenção, uma possibilidade&#8230; parece impor que se apresente uma justificativa, um álibi, ou ao menos que se explique esta ou aquela decisão, a escolha de uma certa palavra, vírgula, tempo.</p>
<p>Me faz lembrar um dramaturgo alemão que afirmou traduzir um autor que admirava justamente porque não falava seu idioma, o francês, e queria compreendê-lo em sua própria língua. Ao que o autor respondeu muito feliz que queria mais era ser reinventado por seu tradutor, já que a admiração era recíproca. Ok, situações como essa não se repetem tanto, mas são uma lembrança estimulante pros piores momentos.</p>
<p>Na verdade sabemos que as palavras têm vida própria, escolhem onde querem estar, que sentido dar às coisas, ações, sensações, sentimentos. O que fazemos é humildemente dar passagem a elas, mesmo que seja apenas de um idioma pra outro.</p>
<p>Então, minha defesa. O que me trouxe a esta árdua, ousada e fascinante tarefa de tradução foi primeiro a música e quase junto o teatro.</p>
<p>Há muitos anos introduzi em meu repertório uma canção de Boris Vian, e me frustrava quando cantava em francês e percebia que ninguém se divertia tanto com a letra como eu. Aí sim, me sentia traindo o autor. Fiz então uma primeira versão para o português que acabou levando a outras, que acabaram virando um cd, que acabou virando um espetáculo meio cabaré que fizemos na abertura dos Satyros na Praça Roosevelt em São Paulo, com direção de Rodolfo García Vazquez e com o ator Ivam Cabral como um anagrama de Vian, o pianista Beba Zanettini e o percussionista Vítor da Trindade como parceiros de cena. As palavras cantadas e faladas em português e francês se encaixaram bem, era tudo música.</p>
<p>Paralelamente, conheci através da poeta e diretora de teatro Beatriz Azevedo o dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, e aqui a necessidade da tradução se deu pelo projeto de montar um espetáculo, que resultou em um mergulho na obra dele, com o estudo de várias peças, entrevistas, artigos, críticas, onde tive a sorte de ir lapidando as traduções a partir das leituras de atores como Maria Alice Vergueiro, Fernando Peixoto, Magali Biff , Adílson Barros e tantos outros que participaram do processo.</p>
<p>Tudo isso pra situar que o que sempre me guiou na tradução foi a música e a teatralidade do texto. A vontade da palavra viva. E neste caso específico d’As Onze Mil Varas, de Guillaume Apollinaire, o ritmo das cenas.</p>
<p>As barreiras da época em que foi escrito, do tom de um outro idioma, tentei transpor deixando o ritmo e a necessidade das cenas falarem por si. O jogo entre a liberdade e violência descaradas e as formalidades ‘civilizadas’, o uso de expressões populares ou de época, gírias, deram o tom do autor aos diálogos e narrativas, e a dica para a tradução. E nos momentos mais quentes, uma pequena fugida do esmero nas concordâncias gramaticais. Pra não perder o compasso.</p>
<p>E a opção por algumas traduções literais com pequenas notas explicativas. Como não traduzir literalmente o ato de fazer ‘pétala de rosa’ em alguém? Mesmo que tenha sentido a necessidade de explicar a expressão que se refere a uma lambida no cu, optei por deixar a beleza da imagem quase falar por si.</p>
<p>Que essas pequenas enormes traições então continuem, se assim quiserem, e que venham mais libertinos franceses, com muita música e ação.[:]</p>
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