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	<title>Arquivos beth carvalho - Letícia Coura</title>
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		<title>Um samba pra Beth Carvalho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Letícia Coura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 May 2019 18:50:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>E lá se foi Beth Carvalho. Difícil não pensar que o Brasil vai ficando mais triste. E que a responsabilidade de não deixar a peteca cair vai ficando cada vez mais na nossa mão. Tive a alegria de conhecer pessoalmente Beth Carvalho no Rio de Janeiro, na Tijuca, há mais de vinte anos atrás, numa&#8230;<a href="https://leticiacoura.com.br/um-samba-pra-beth-carvalho/" class="button">Leia mais <span class="screen-reader-text">Um samba pra Beth Carvalho</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" data-attachment-id="717" data-permalink="https://leticiacoura.com.br/um-samba-pra-beth-carvalho/captura-de-tela-2019-05-01-15-23-06/" data-orig-file="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?fit=1055%2C687&amp;ssl=1" data-orig-size="1055,687" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="Captura de tela 2019-05-01 15.23.06" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?fit=662%2C431&amp;ssl=1" class="  wp-image-717 alignleft" src="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?resize=402%2C261&#038;ssl=1" alt="Captura de tela 2019-05-01 15.23.06" width="402" height="261" srcset="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?w=1055&amp;ssl=1 1055w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?resize=300%2C195&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?resize=768%2C500&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?resize=1024%2C667&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Captura-de-tela-2019-05-01-15.23.06.png?resize=384%2C250&amp;ssl=1 384w" sizes="(max-width: 402px) 100vw, 402px" />E lá se foi Beth Carvalho. Difícil não pensar que o Brasil vai ficando mais triste. E que a responsabilidade de não deixar a peteca cair vai ficando cada vez mais na nossa mão.</p>
<p>Tive a alegria de conhecer pessoalmente Beth Carvalho no Rio de Janeiro, na Tijuca, há mais de vinte anos atrás, numa ida com o letrista Costa Netto para tratar de assuntos da Dabliú, seu selo que ia lançar meu primeiro cd, o <em><a href="https://open.spotify.com/album/6i5hpRhIVDIOaMLWd8tfKi">Bam Bam Bam</a></em>. Que delícia uma noite de samba na casa do compositor Moacyr Luz, recém colega de gravadora e vizinho de prédio de Aldir Blanc, que também estava lá. Muita cerveja muito gelada, cachaça daquelas que descem acariciando a garganta e esquentando o corpo todo, tira-gostos maravilhosos, uma fartura danada, e a música que não parava. Muito bamba do samba, o violão que passava pra lá e pra cá, Beth no cavaquinho&#8230;</p>
<p>Sentei num canto ouvindo a música, tomando cerveja, cachaça, experimentando a petiscada carioca, sem conhecer ninguém mas já conhecendo todo mundo, e engreno uma conversa com um cara ao lado, falamos de sambas, música brasileira, ah, essa é demais, do fulano&#8230; adoro esse outro samba, uau, tava pensando nesse, ele então me contou que estava fazendo um livro com os sambas mais mais de todos os tempos, daí perguntei o nome dele, ele disse Almir. Uns dez segundos se passaram e eu entendi: Almir ! você é o Almir Chediak !!!, ele realmente me parecia familiar, daí agradeci muito a ele, graças às suas harmonias caprichadas tinha aprendido a tocar melhor meu violão, seus songbooks que me ensinaram tanto e me fizeram enveredar pela harmonia da bossa nova, do samba e da música brasileira de vários compositores e gêneros diversos. Que alegria de novo estar ali aquela hora, poder ouvir, trocar, e sim, agradecer todo aquele aprendizado e inspiração.</p>
<p>Lá pras tantas, já animada pela cerveja, pelo samba, pela cachaça, pelas conversas inspiradas, me vejo sentada ao lado dela, a madrinha do samba, a Beth Carvalho da voz rouca, estou cantando com ela, todo mundo cantando junto, feliz. Daí pergunto se ela conhece o <em>Ziriguidum.</em> Imagina se a Beth Carvalho, a rainha do <em>Ziriguidum,</em> não conhece o <em>Ziriguidum </em>&#8230; perguntei empolgada, tinha feito a mesma pergunta no camarim depois de um show da Elza Soares. Era o <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gefyFlB8ZUI">Ziriguidum</a> </em>cantado por ela e Monsueto numa gravação hoje facilmente encontrada no youtube, parte do filme <em>Briga, Mulher e Samba</em>, de 1961. É um samba irresistível, que a própria Elza Soares não se lembrava de ter gravado. Na empolgação da noite, perguntei a Beth Carvalho se ela conhecia – tipo aqueles chatos sem noção que ficam pedindo ‘aquela’ música &#8211; e ela muito naturalmente disse que não, e pediu então que eu cantasse pra ela conhecer. Ih. Agora ali não podia fugir, de onde tirei a ideia de fazer essa pergunta, maldita espontaneidade etílica, agora estava eu ali com um violão na minha frente, com um <em>Ziriguidum</em> a executar pra Beth Carvalho conhecer o que é <em>Ziriguidum</em> .. . . através de mim. Mais outros dez segundos, fazer o quê, peguei o violão, cantei, ela foi cantando junto, perguntou de quem era, Monsueto, eu disse, adoro Monsueto, ela completou, e eu feliz contei a história do camarim com a Elza Soares, duas rainhas do <em>Ziriguidum </em>para quem tive a honra de cantar o <em>Ziriguidum.</em></p>
<p>Depois fui a um show dela aqui em São Paulo, e ao final fui ao camarim agradecer a noite cheia de <em>Ziriguidum,</em> e encontrei lá muitos compositores com um samba na mão, na esperança de ter um samba seu imortalizado na voz de Beth Carvalho, como tantos outros antes, de Cartola a Zeca Pagodinho.</p>
<p>Outros anos depois fomos tocar – o trio <a href="https://revistadosamba.blogspot.com/">Revista do Samba</a>, meus parceiros Beto Bianchi, Vítor da Trindade, e eu – num festival no sul da França e mais tarde no mesmo festival assistimos a um show dela numa arena romana, e cantamos juntos a plenos pulmões <em>Andança</em> – aquela mesma que não aguentávamos mais cantar nem ouvir em alguma roda por aqui – nós e todos os brasileiros que foram lá matar um pouco da saudade do Brasil, uma emoção e um orgulho da riqueza da música brasileira encantando e alegrando o mundo. E no fim do show uma Beth Carvalho meio contrariada de ter que acabar o show antes do show acabar, tendo que seguir um horário francês de festival com muitas atrações,<em> d’accord</em>, uma cultura que influenciou o mundo inteiro, mas que não sabe como funciona uma roda de samba.</p>
<p>Depois tantas vezes vendo Beth Carvalho lançar novos sambistas, sempre presente nos atos em favor da democracia, e cantando o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q7nPza7QarE&amp;t=8s">samba do #LulaLivre</a> na internet.</p>
<p>Hoje o Brasil está um pouco mais triste. O Almir já se foi tempos atrás, deixando o Brasil mais desarmônico, agora a Beth Carvalho foi fazer um samba com Cartola noutros mundos, e as rosas daqui vão falar ainda menos. Lembrando daquela noite lá na Tijuca, vem o sentimento de responsabilidade pra nós, que conhecemos e vivemos o Brasil com esses artistas, um tempo de esperança, de criação, com a cultura daqui sendo valorizada aqui e no mundo, encontrando meios de compor, cantar, divulgar essa música brasileira tão diversa e rica por todo canto. A hora é de ter cada vez mais esses artistas conosco, nos inspirando. Os podres poderes vão e vêm, sobem e caem, mas o samba continua fazendo o mundo todo e até Marte rebolar. E fico – e deixo vocês &#8211; com a voz da carioca Beth Carvalho mergulhando no samba paulista, cantando a <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZSCJSnpwgPA">Tradição</a> </em>do compositor Geraldo Filme, que há décadas atrás já compunha contra a verticalização do bairro: quem nunca viu o samba amanhecer, vai no Bixiga pra ver, vai no Bixiga pra ver . . .</p>
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