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	<title>Arquivos tio douglas - Letícia Coura</title>
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		<title>TIO DOUGLAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Letícia Coura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jun 2016 00:42:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estavam novamente no cinema. Era dos poucos lugares em que ele podia ficar com ela em público sem ser incomodado. E em que ela acreditava ir para se divertirem, e quem sabe até ele não tinha, assim, uma preocupação cultural em relação a ela? É claro que os filmes sempre tinham histórias com trepadas dos&#8230;<a href="https://leticiacoura.com.br/tio-douglas/" class="button">Leia mais <span class="screen-reader-text">TIO DOUGLAS</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_413" style="width: 242px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-413" data-attachment-id="413" data-permalink="https://leticiacoura.com.br/tio-douglas/eduleia-leite-da-fiinha/" data-orig-file="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?fit=2448%2C2448&amp;ssl=1" data-orig-size="2448,2448" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;2.2&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 5s&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1445000474&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;4.15&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;32&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.025&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="Eduleia leite da fiinha" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?fit=662%2C662&amp;ssl=1" class="wp-image-413" src="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha-300x300.jpg?resize=232%2C232" alt="Eduleia leite da fiinha" width="232" height="232" srcset="https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?resize=480%2C480&amp;ssl=1 480w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?resize=250%2C250&amp;ssl=1 250w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?resize=50%2C50&amp;ssl=1 50w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?w=1324&amp;ssl=1 1324w, https://i0.wp.com/leticiacoura.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Eduleia-leite-da-fiinha.jpg?w=1986&amp;ssl=1 1986w" sizes="(max-width: 232px) 100vw, 232px" /><p id="caption-attachment-413" class="wp-caption-text">desenho no texto de Mystérios Gozosos &#8211; Eduleia &#8211; Teatro Oficina 2016</p></div>
<p>Estavam novamente no cinema. Era dos poucos lugares em que ele podia ficar com ela em público sem ser incomodado. E em que ela acreditava ir para se divertirem, e quem sabe até ele não tinha, assim, uma preocupação cultural em relação a ela? É claro que os filmes sempre tinham histórias com trepadas dos atores principais. Mas também, qual filme atual que não tem &#8220;cenas de sexo&#8221;?, ele dizia. E ela gostava de vê-las.</p>
<p>Nesse dia especialmente sentia-se animada, estava feliz porque seu colega a havia chamado de gostosa pra todo mundo ouvir. Aquilo custou três dias de suspensão, o orientador não achou muito educativo pré-adolescentes -era assim que os chamavam- de onze, doze anos, trocando carícias obscenas durante as aulas. Não estava muito triste em perder as matérias, mas não gostava muito de não ter onde ir durante o dia, e em casa sempre era obrigada a obedecer ordens. E não gostava também do jeito que ele a tratava na presença da mulher. E ela, tia Dolores (ou dona Dolores, dependendo do humor não gostava que a chamasse de tia), vinha maltratando-a muito nos últimos meses.</p>
<p>E o filme já havia começado, mas ela não entendia muito bem o que se passava. A imagem era ruim, os atores apareciam sempre sem cabeça, e a cor fazia com que se lembrasse das fotos de criança que guardava trancadas no armário. Nas fotos ela parecia tão feliz, com sua mãe carregando-a nos braços e enchendo-a de beijos. E ainda por cima todos falavam tão depressa, que ela não conseguia acompanhar o que diziam pelas legendas. Língua esquisita, deve ser espanhol. Gostava mais quando os atores falavam inglês. Lembrava do Michael Jackson.</p>
<p>Ele já havia começado como de costume. Pegava a mão dela e fazia com que segurasse naquela coisa, que a essas alturas esperava dura já pra fora da calça. Como ele parecia gostar daquilo&#8230; quer dizer, às vezes não sabia muito bem se ele gostava mesmo, pois era tudo tão rápido. E hoje ele parecia ainda nervoso. Não seria por causa da suspensão, pois nem lhe contara ainda&#8230; Mas à medida que o filme ia passando -parecia não haver mesmo história, ou era ela que não entendia-, lembrava do Marquinho, o colega, e quanto mais se lembrava dele parecia quase bom fazer o que fazia. Pegava naquele pau duro, e especialmente naquele dia sentia a buceta esquentar, doer até dentro da calcinha justa. Engraçado que das outras vezes não sentia exatamente prazer em ver aquele homem, que ela respeitava e até temia um pouco, se esfregando na cadeira do cinema e por fim soltando aquela coisa branca em cima dela. Tinha vontade de perguntar o porquê daquilo, mas tinha vergonha. Nunca conversavam, e ela achava que este não deveria ser o primeiro assunto. Sentia que por algum motivo aquilo deveria permanecer um segredo entre eles.</p>
<p>Mas ele estava realmente nervoso. Saíram do cinema e foram tomar um sorvete. Oba!! Antes nunca tinham ido. As coisas estavam melhorando. Sentia-se até um pouco culpada pela suspensão. Poxa, eles eram tão legais com ela e era assim que retribuía. E no meio do sorvete -ela pediu um duplo, bem grande &#8211; ele foi pra cima dela, lambia o seu sorvete, começou a beijá-la como no filme. Com força, ele enfiava a língua dentro da sua boca, misturada com o sorvete, pegava em seus cabelos, se esfregava nela, apertava com os dedos o bico dos seios que começavam a despontar sob a camiseta.   E agora, meu Deus!? Ela não sabia o que fazer, o pessoal da sorveteria olhando meio de lado, aquele sessentão meio animado demais, com aquela menina que parecia sua neta. Levou-a dali e dentro do carro começou a falar de um jeito que ela não conhecia, muito rápido. Ivetinha (era assim que ele a chamava quando estavam sozinhos), nós vamos nos mudar, vamos morar só eu e você, já aluguei uma casa na praia, você não vai mais precisar estudar, nem aguentar sua tia lhe dando ordens nem olhando torto pra você. Agora você vai ser a dona da casa, e tudo vai ser do jeito que você quiser. Nós vamos almoçar hambúrguer com batata frita e coca-cola todos os dias, com ovos nevados de sobremesa, você vai poder escutar música bem alto e ver todos os programas que quiser na televisão!&#8230; É, isso mesmo, nós vamos agora. Ele babava.</p>
<p>Nem passaram em casa. Ela ficou um pouco assustada com a ideia, mas logo se acostumou. A estrada era bonita, toda rodeada de árvores e casinhas. Talvez se esquecesse rápido de tia Dolores. Mas com certeza teria muita saudade do Marquinho. Será que o veria de novo?</p>
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